domingo, 18 de outubro de 2009

FORMULA 1 GRANDE PREMIO PETROBRAS DO BRASIL 2009

Pensem comigo. Uma equipe tem dois pilotos. Um tem uma grande vantagem de ser campeão mundial. O outro está em ascensão para pegar o primeiro. A equipe quer que os dois cheguem na frente, já que o Campeonato de Construtores é mais rentável do que o de Pilotos. O que ela vai querer? Ver o circo pegar fogo ou assegurar a vitória a vitória do primeiro e deixar o segundo bem quieto como coadjuvante? A resposta é óbvia.

Um inglês, numa equipe inglesa é campeão do mundo, enquanto um brasileiro, que por azar não conseguiu despontar junto com o companheiro, fica para trás. Ross Brawn pode estar certo em favorecer Jenson Button – já que ali rolam rios de dinheiro, e é o dito-cujo que realmente importa no nosso mundo – mas dizer que ele jogou neutro entre os dois de sua equipe, é inocência demais em se afirmar.

Num ano extremamente atípico, onde as coisas começaram de cabeça pra baixo, e uma equipe sem patrocinador conseguiu o milagre de um carro extremamente superior às outras, Rubens Barrichello teve novamente o azar de estar no lugar errado, na hora certa. Da primeira vez que teve chance de ser campeão, teve o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos como companheiro. Dessa vez, teve a maior promessa da Inglaterra em muitos anos, e sabemos que são os ingleses que mandam nessa categoria.

Quando tudo se normalizou, depois do meio da temporada, percebemos como Rubens sempre foi um grande piloto, mas que sempre contou com uma grande falta de sorte nas equipes em que se meteu. Levou a BAR/Honda nos ombros por anos, e quando foi pra colher os frutos, escolheram um inglês. Isto na verdade é uma reflexão da localização geopolítica do Brasil no mundo, e não adianta o Lula achar que vai mudar alguma coisa.

O ano ainda não acabou, haverá mais uma corrida em Abu Dhabi, onde Rubinho poderá com todas as suas forças ficar em segundo lugar. E torceremos para ele. Mas a vitória em seu país, que valeria muito mais do que o campeonato mundial, tenho certeza, já tiraram dele. A vitória sobrou para a equipe que foi destaque neste ano, com dois pilotos inteligentes que jogaram limpo o tempo todo: Mark Webber e Sebastian Vettel, que certamente será a nova promessa alemã na categoria.

O que mais me atrai na Red Bull Racing é o comando jovem, que tocou uma empresa despojada e eficaz. Nada da seriedade sem sentido da Fórmula 1 convencional. Mas uma coisa promete para o ano que vem: uma competitividade não vista há muito tempo. Basta olharmos para essa corrida hoje. Como foi bela! Cheia de ultrapassagens e disputas interessantes.

No início da transmissão a Rede Globo montou uma viagem – em todos os sentidos – sobre o que será a Fórmula 1 daqui algumas décadas, com carros voadores e pistas com loopings. Discordo completamente. Nos últimos anos a modalidade decidiu retroceder no tempo: abandonou os motores V10 em prol dos V8, readmitiu os pneus slick. É óbvio que, quanto menos tecnologia, mas interessante fica. Talvez este seja um recado para o futuro do nosso planeta e da humanidade.

Parabéns Jenson Button, que com muita competência é campeão mundial. Parabéns Mark Webber, que também foi muito inteligente para vencer esse Grande Prêmio do Brasil. Parabéns Rubens Barrichello pela valentia que sempre demonstrou na vida. Mas uma coisa tenho certeza: enquanto continuarem dinossauros como Ross Brawn trabalhando na F1, as maracutaias continuarão. Valeu pelo aprendizado. Afinal, o esporte imita a vida. E é para isso que ele serve.

PS.: Perceberam o nome do Grande Prêmio? Rios de dinheiro fizeram da Petrobras a patrocinadora oficial do evento. Ela está em todas. Ela é estatal. O dinheiro é nosso. Ou melhor: era nosso.

Resultado final:
1 - Mark Webber - RBR/Renault
2 - Robert Kubica - BMW Sauber
3 - Lewis Hamilton - McLaren/Mercedes
4 - Sebastian Vettel - RBR/Renault
5 - Jenson Button - Brawn/Mercedes
6 - Kimi Räikkönen - Ferrari
7 - Sebastien Buemi - STR/Ferrari
8 - Rubens Barrichello - Brawn/Mercedes
9 - Heikki Kovalainen - McLaren/Mercedes
10 - Kamui Kobayashi - Toyota
11 - Giancarlo Fishichella - Ferrari
12 -  Vitantonio Liuzzi - Force India/Mercedes
13 - Romain Grosjean - Renault
14 - Jaime Alguersuari - STR/Ferrari
Não terminaram: Kazuki Nakajima (Willians), Nico Rosberg (Willians), Nick Heidfeld (BMW), Adrian Sutil(Force India), Jarno Trulli (Toyota) e Fernando Alonso (Renault).

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Dentro e Fora das Pistas - Por Felipe Motta