domingo, 27 de março de 2011

2011 FORMULA 1 QANTAS AUSTRALIAN GRAND PRIX

Depois de uma temporada de férias, estou aqui de volta para comentar os lances de um dos esportes mais sensacionais do mundo: a Fórmula 1, que adentra 2011 um pouco tardiamente, já que seu primeiro GP, no Bahrein, foi cancelado por causa da instabilidade política do local. De qualquer maneira, começamos do outro lado do mundo, diretamente de Melbourne, em um dos Grandes Prêmios mais interessantes do calendário: o circuito é dentro de um parque e as pistas não são utilizadas o ano todo, mas apenas para esse dia - o que torna a pilotagem mais difícil e interessante. Os pilotos gostam, o público também, apesar do horário que passa aqui no Brasil.

Neste ano a Formula 1 traz várias mudanças em relação ao ano passado, que já viera bem diferente da última temporada que cobri aqui. As mudanças que persistem são: a alteração na quantidade de pontos, sendo que o líder ganha 25, o segundo 18, terceiro 15 e por aí vai; o impedimento de se reabastecer no decorrer da corrida, sendo que os carros saem de tanque cheio para até o final da prova. Nesse ano as principais mudanças foram nos pneus, que passaram de Bridgestone para Pirelli, e estão se desgastando muito mais, fazendo com que gente na prova de hoje fizesse quatro paradas. Foram colocadas duas novas tecnologias no carro: a volta do KERS, que saiu ano passado, e o aerofólio traseiro móvel, que permitiria aos pilotos ganharam uns segundinhos na reta e possibilitar a ultrapassagem. No fim das contas, não vi eles funcionarem tão bem não; na verdade, não vi NENHUMA ultrapassagem com esse artifício.

Há também o vai-e-vem de pilotos: neste ano temos 24 competidores em 12 equipes, com vários nomes novos, mas também muitos velhos tarimbados do meio. As equipes de destaque certamente serão ainda a Red Bull, com o campeão mundial Vettel e o experiente Webber; a McLaren, totalmente inglesa com Hamilton e Button; a Ferrari, totalmente latina com Alonso e Massa; a Renault, que perdeu Kubica mas traz Heidfeld e o russo Petrov; a Mercedes, totalmente alemã com Schumacher e Rosberg; e QUEM SABE a Willians, com nosso amado e querido Rubens Barrichello e um venezuelano (isso mesmo) chamado Pastore Maldonado. Só coisa boa.

Mas tudo isso no papel não vale muita coisa, e também não são os treinos que vão nos dizer quem é quem. É na corrida que o negócio esquenta, e por isso valeu a pena ficar acordado até as 5h da manhã pra ver como o pagode ia rolar. Pra quem olha as posições de chegada, talvez dê aquela velha sensação de "mais do mesmo" que a F1 nos últimos anos tem trazido, já que Sebastian Vettel voou na frente e ganhou fácil. Só teve sua vitória ameaçada uma vez por Hamilton quando seus pneus começaram a pipocar. Chamado aos boxes, tudo resolvido. Vamos ver se ele vai continuar voando assim, tornando-se um novo Schumacher imbatível.

Os brasileiros foram do céu ao inferno várias vezes no fim de semana: fizeram bons treinos, uma péssima classificação, um ótimo começo de corrida e um péssimo final de história. Ambos não largaram de boas posições, mas conseguiram pular várias na largada; Massa certamente fez a melhor saída da corrida, e pulou pro quarto lugar, sendo muito pressionado por Button, e - melhor - segurando-o com maestria. Poderia ser uma situação insustentável, mas só foi vencida com uma trapaça do inglês, que pegou um "atalho" para ultrapassar o brasileiro, abrindo um vácuo para que Alonso também o ultrapassasse. Logo após a trapalhada, Button foi obrigado a fazer um Drive Thru, mas aí a vaca já tinha ido pro brejo. O resto da corrida de Massa foi medíocre.

Já Rubinho foi a "trancos e barrancos": jogado pra fora logo na largada, conseguiu um bom acerto do carro pra corrida e foi ultrapassando todo mundo com muita vontade, até chegar na zona de pontos. Lá estando, foi com "fome de gol" pra cima da Mercedes de Rosberg; tanta fome que tentou passar onde não dava, enfiou o carro onde já estava Rosberg, provocando um acidente e tirando o alemão da corrida. Resultado: Drive Thru para o brasileiro, que teve o bico quebrado e a corrida jogada fora. Por fim, ainda quebrou o câmbio e teve que abandonar. Só o Rubinho mesmo...

A grande surpresa da noite foi para o russo Vitaly Petrov, que já corria ano passado pela Renault, e que ficou para ser segundo piloto de Kubica. Fez uma corrida muito sólida, com uma ótima largada e não sendo ameaçado por ninguém em nenhum momento, a não ser por Alonso nas últimas voltas. Foi o primeiro pódio da história para um piloto russo, certamente um orgulho para o país da vodka. Com uma mistura de talento, sorte e um carro bom, Petrov pode se tornar o piloto número um da escuderia, que ainda conta com o talentosíssimo Nick Heidfeld, que ainda não se encontrou. Com essa dupla, eu - que gosto de torcer pelos azarões - talvez já tenha encontrado meu time favorito desse ano. Até a Malásia!

Dentro e Fora das Pistas - Por Felipe Motta